Entrevista a Bernhard Siegert

José Gomes Pinto [JGP]: A primeira questão que gostaríamos de fazer-lhe é: quem é Bernhard Siegert?

 
JGP: Tal como mencionou, a Teoria dos Media é, na Alemanha, onde é conhecida como Media Wissenschaft, distinta da de outros países, por exemplo os Estados Unidos. Poderia desenvolver esta ideia e explicar quais são essas diferenças específicas no que respeita às metodologias de abordagem à questão dos media?

 
JGP: No seu livro, ao referir-se ao sistema postal, usa as figuras gramaticais do genitivus objectivus e do genitivus subjectivus. Podem estas ser aplicadas à teoria dos media, isto é, estarão os media a fazer a sua própria teoria? Dito de outro modo, existe uma teoria dos media, ou os media são aquilo que nos ajuda a teorizar?

 
Maria Teresa Cruz [MTC]: Poderíamos talvez regressar ao que explicou acerca da análise dos media. Quão perto estamos de que esta se transforme numa ontologia dos media e em que medida procura evitá-lo, falando sobre os media a partir das operações que, de certa forma, os constituem? Poderemos interpretar o seu interesse na auto-reflexividade dos media por este ser o ponto a partir do qual estes se constituem de facto enquanto meios? Ao usar esses conceitos, como o de «textilidade». constitui-os como uma espécie de paradigma?

 
MTC: O que é também uma abordagem inovadora por comparação com uma teoria dos media que apresenta uma posição de determinismo tecnológico simplista. Refiro-me a este seu recente interesse por objectos incomuns (o sistema postal, livros de registo, têxteis). Essa análise aprofundada aos objectos e respectivas operações é uma nova forma de evitar um certo determinismo tecnológico?

 
MTC: Está portanto interessado, na sua pesquisa, nos mais díspares materiais, procurando focar-se em objectos tão distintos como livros de registo ou têxteis, e aplicando um olhar aprofundado às operações que os constituem.

 
JGP: Se bem percebo, podemos então relacionar este tipo de reflexão acerca dos media com aquilo a que a fenomenologia chama «ontologias originais»?

 
MTC: Poderia falar-nos um pouco acerca do seu novo livro, que será brevemente publicado em inglês?

Dep. de Ciências da Comunicação da FCSH/NOVA. Leciona em Teoria da Imagem, Estética dos Media e Artes Contemporâneas. Membro do CIC.Digital e do Centro de Estudos de Comunicação e Linguagens (diretora entre 2012-2015; coordenadora da linha «Comunicação e Artes» entre 2007-2012). Fundou e dirigiu a Interact: Revista de Arte, Cultura e Tecnologia (2000-2006) e dirigiu a Revista de Comunicação e Linguagens (2010-2013). Áreas de investigação: estéticas pós-media e artes contemporâneas; técnicas culturais e património; cultura da participação. Projetos recentes: «Imagens e Narrativas: Portugal-África» (DGArtes, 2015); conceção e design de comunicação do Centro Interpretativo G. Ribeiro Telles (Fundação C. Gulbenkian, Lisboa, 2013); direção da comunicação museológica do Museu do Côa, Património Mundial – Arte Paleolítica (2008-2010).
Realizadora, investigadora e editora, Raquel Castro fez uma tese de mestrado sobre Ecologia Acústica na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e realizou o documentário Soundwalkers, estreado no festival Subtropics, em Miami e apresentado em diversos festivais e conferências sobre som. Curadora e responsável pelo programa Invisible Places | Sounding Cities, que juntou, em Julho de 2014, investigadores e artistas para problematizar relações entre som e cidade. De entre os seus documentários, destaca O Bairro e Leve Leve Non Caba Ué, vencedor do festival Ovarvídeo (2007). Está a investigar, no âmbito do seu doutoramento em Ciências da Comunicação na FCSH da UNL, a Paisagem Sonora de Lisboa.