Entrevista a Pascal Chabot

Catarina Patrício: Porquê o título Simondon du désert?
[Título do filme de François Lagarde, conduzido por Pascal Chabot, dedicado à obra de Gilbert Simondon. Trailer em http://www.youtube.com/watch?v=DB1pe_PFyq8]

 

CP: Segundo André Leroi-Gourhan, muito influente sobre o trabalho de Simondon, para os primeiros hominídeos «a mão libertada pela posição erecta chamou a si ferramentas». Como comenta esta interpretação no contexto simondoniano; concorda?

 

CP: Na sua carta a Jacques Derrida – sobre a tecno-estética – Simondon diz que a contemplação não representa a principal categoria tecno-estética. Será antes numa utilização, ou na acção, que qualquer coisa se torna «orgásmica» ou motor de estimulação geral. Mas o Pascal atribui um papel absolutamente mais importante à arte na mediação entre sujeitos e objectos. Devemos entender assim?

 

CP: E o que dizer da percepção ? Como poderia sintetizar a abordagem simondoniana à questão da percepção?

 

CP: Em 1969, na célebre «Entrevista sobre mecanologia», Jean le Moyne pergunta: «como é que o problema da individuação chega à mecanologia?». E muito embora Simondon determine que a concretização técnica passa pelo processo de individuação, afirmando existir uma «relação real» entre a mecanologia e a individuação, encontra-se frequentemente, em vários trabalhos sobre Simondon entre os quais o seu, uma segregação entre estes dois módulos, quando para mim são totalmente convergentes. O Pascal analisa esta questão na terceira parte do seu livro A Filosofia de Simondon. Mas não estará este afastamento entre mecanologia e processos de individuação, a reflectir justamente a segregação entre técnica e pensamento que Simondon combatia?

 

CP: No seu mais recente livro, «Global Burn-Out», o Pascal pretende discutir os efeitos da aceleração na sociedade contemporânea através da experiência psicológica do esgotamento, mas um esgotamento à escala global. Será esta uma metáfora ao capitalismo na sua fase mais especulativa?

 

CP: Como logrou fazer a transição duma Mecanologia para a Aceleração? Que vias se nos abrem no futuro?

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Pascal Chabot (Liège 1973) estudou Filosofia na Université de Paris I (Sorbonne), nas Facultés Universitaires Saint-Louis, na Université Libre de Bruxelas e na Université de Liège. É professor no Institut des Hautes Études en Communications Sociales (IHECS) em Bruxelas, onde dirige vários seminários. Destacam-se da sua obra os títulos La philosophie de Simondon (Paris: Vrin 2003), mais recentemente Global Burn-Out (Paris: PUF, 2013) e o filme Simondon du désert, realizado por François Lagarde.

 

[Dezembro, 1980] Artista Plástica, investigadora em Cultura Contemporânea e Novas Tecnologias no Centro de Estudos de Comunicação e Linguagens [CECL], docente na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias [ULHT]. Licenciou-se em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa [FBA-UL: 1998-2003], tendo estudado fotografia e gravura na Fachhochschule Bielefeld [2000]. Em 2008 concluiu o Mestrado em Antropologia dos Movimentos Sociais na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa [FCSH-UNL], onde se doutorou em 2014 em Ciências da Comunicação, tendo-lhe sido atribuída uma bolsa de investigação individual pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.