Álbum da Horta do Baldio

A Horta do Baldio nasceu, como diz o nome, num espaço baldio, no centro da cidade de Lisboa, perto do Campo Pequeno, com a ajuda de uma «comunidade» constituída por artistas, investigadores, professores, jardineiros, permacultores, reformados, estudantes, donas de casa, etc. Esta sua emergência coletiva inscreveu-lhe um ideário utópico apesar de o seu tempo de vida ser efémero e limitado pelas condicionantes do próprio espaço, um terreno privado expectante de uma nova edificação.

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Conceção, na Horta do Baldio, do cartaz «Uma Horta em cada Esquina» (2014), no âmbito do Projecto «Mais para Menos do que para Mais». Ver Cláudia Madeira (2016), «Art Programming as a Test Laboratory for Social Questions: The Case of Horta do Baldio, a Vegetable Garden for Agriculture» in Paula Guerra e Pedro Costa (orgs.), Redefining Art Worlds in Late Modernity, cap. 14, Setembro de 2016, pp. 271-287).

 

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Preparação da terra para construção da «Horta Mandala», uma horta circular de permacultura.

 

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Sessão de Dragon Dreaming na Horta do Baldio.

 
Constituiu-se assim como um espaço de encontros, experiências e aprendizagens, mas também de projeções de futuro que, muitas vezes, não tiveram em conta o tempo possível da horta, como se o espaço temporariamente ganho representasse um tempo inexplicavelmente fora do tempo e, por isso, onde todas as idealizações eram possíveis.

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Plantio, rega…

 

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Lago da Horta do Baldio

 
Três anos passados esta horta sobrevive, no que em muito representa a resiliência da própria natureza. Hoje escasseiam os recursos da sua sobrevivência: encontra-se «temporariamente» sem água, sem guardiões cuidadores, «quase» sem sustentabilidade.

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Marcha do Orgulho Hortícola, preparada na Horta do Baldio e iniciada no Teatro Maria Matos até à Horta súbita instalada no Bairro das Estacas (2014).

 

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Estendal do Baldio (2016). Ver Cláudia Madeira (2016), «Estendal: O Valor de uma Experiência Artística numa Horta sem Sustentabilidade», in animaliavegetaliamineralia, ano III, n.º VIII, Inverno de 2016.

 
Entre a Horta e o Baldio, o espaço tem-se dado a ver, por vezes como horta, por vezes como baldio. Agora é de novo mais baldio do que horta, ainda que a qualquer momento o contrário também seja possível, depende apenas da resiliência não da horta mas dos que fazem dela uma horta.

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A Horta e o Baldio.

 
O álbum que aqui apresento da Horta do Baldio é parcelar, mostra especialmente os momentos eufóricos da horta, os momentos festivos, inaugurais, onde uma «comunidade» também ela efémera se juntou para idealizar um futuro, não só para este espaço mas para a cidade. Não mostra vazios porque, por um lado, este espaço serve ainda hoje para a plantação de couves e alfaces, para se colherem flores silvestres, ervas aromáticas, serve de estaleiro de obras a uma carpintaria que foi resguardada com uma cerca feita de portas velhas pintadas às cores, estilo Mondrian, serve para passeios de cães da vizinhança, para «tertúlias» de jovens à noite; por outro lado, como qualquer outro álbum, de uma qualquer história de vida, não regista tudo.

Cláudia Madeira é docente e investigadora do IHA e do CIC.DIGITAL da NOVA/FCSH. Realizou pós-doutoramento intitulado Arte Social. Arte Performativa? (2009-2012) e o doutoramento em Sociologia sobre Hibridismo nas Artes Performativas em Portugal (2007) no ICS/UL. Entre 2007 e 2009 concebeu o projeto Hortas Urbanas, Hortas Criativas no Departamento de Planeamento Estratégico do Município de Odivelas, do qual resultou o projeto Hortinhas da Paiã implementado na Escola Agrícola da Paiã. É guardiã da Horta do Baldio desde 2014, sobre a qual escreveu vários artigos e onde desenvolveu o projeto Estendal, uma experiência de curadoria performativa no espaço público em torno de projetos artísticos sobre Hortas, em Junho 2016, a partir da obra de Fernanda Fragateiro, Fernando Brito e Álvaro Domingues e com a colaboração dos seus alunos do seminário de mestrado em Programação de Artes Cénicas.