Hortas & Ecos: Fragmentos de uma História do Futuro

1.

Fragmento de uma História do Futuro é o título de um dos livros de Gabriel Tarde, sociólogo contemporâneo de Durkheim que viveu na transição do século XIX para o XX, e que, para além dos seus contributos para uma abordagem microssociológica, apropriada extensamente por Deleuze e Guattari mas também por Latour, nas suas obras, desenvolveu esta narrativa sociológica-ficcional de âmbito futurista que se passa no final do século XXV, período no qual a civilização humana sucumbira num desastre ecológico provocado por um terrível naufrágio e os poucos sobreviventes tiveram de se refugiar no interior da terra.

Na estória, essa catástrofe provocada pelo enfraquecimento do calor solar é antecedida por um período de grande prosperidade — caracterizado pela inexistência de guerras e com um forte controlo da natureza por parte do homem que lhe garantira a saúde, a beleza e uma vida sem o esforço do trabalho. Porém, a catástrofe no ano de 2489, tendo sido gerada pelo arrefecimento do sol, que foi esmorecendo as suas cores e provocando o enregelamento e a seca, levaria à morte da maioria da população. Apenas alguns homens conseguiram sobreviver refugiando-se numas minas de carvão. E é assim que um homem se destaca entre a multidão com um discurso salvífico chamando a atenção para a riqueza da terra, que apesar de gelada à superfície mantinha quente o seu interior. Nesse discurso o homem afirma que durante séculos a terra foi separada dos seus «filhos», e que por fim essa separação deveria ser anulada restando ao homem ou a morte ou uma vida subterrânea.

O plano de sobrevivência nesse mundo subterrâneo passava pela utilização dos recursos da química que permitiriam desenvolver todo o género de mantimentos e a preservação de uma grande biblioteca, com as obras célebres da humanidade, «como sementes», mas também um museu retrospetivo, com objetos do passado, como um guarda-chuva, que permitiriam evidenciar o ridículo que era o homem depender da natureza, e assim a sobrevivência humana, enquanto exceção ao extermínio de toda a natureza viva, animal ou vegetal, traduzia-se numa «experiência prolongada de sociologia». Nas palavras de Tarde, «De certa forma, era uma questão de saber o que seria do homem social entregue a si mesmo, com todas as aquisições intelectuais acumuladas por um longo passado de génios humanos e privados de auxílio de todos os outros seres vivos, ou mesmo de todos esses seres meio vivos chamados de rios e mares, ou chamados de estrelas, e reduzidos às forças domesticadas, mas passivas da natureza química, inorgânica, separada do homem por um abismo que é muito profundo para exercer sobre si, socialmente, uma ação qualquer.»

A sobrevivência humana permitiria evidenciar a fraca importância da fauna e da flora no progresso humano. O novo homem subterrâneo, em analogia com o homem urbano, via na natureza uma mera distração natural e rural, sendo o seu afastamento dela o que tornaria o homem, através da ciência e da vida artificial, «mais humanizado», mais próximo, do que seria realmente da esfera estritamente humana.

 

2.

Esta ficção onde se traça um olhar especulativo sobre o futuro e o «progresso» constitui uma base interessante para questionarmos sobre qual o tempo histórico das hortas. São as hortas algo do passado, do presente ou do futuro? O que têm as hortas atuais a ver com as hortas do passado? As hortas perduram hoje apenas como eco desse passado, ou serão o eco do futuro? Ou no futuro não teremos hortas? Serão elas enfim completamente substituídas enquanto reduto da ligação orgânica homem-natureza, em nome do progresso, como nos diz o texto de Tarde, por algo artificial, produto de uma química e de um processo que depende apenas da ação humana e, podemos acrescentar, sem amor à natureza?

Esta revista dupla, com os números 26 e 27, que se denominou «Hortas & Ecos» surgiu como tentativa de problematizar estas questões e de dar visibilidade a um conjunto de projetos de investigação, artísticos ou comunitários que têm vindo a reinscrever as questões da ecologia (e da sustentabilidade) em espaço urbano, com especial destaque para as zonas metropolitanas de Lisboa e Porto. São projetos que remetem para uma duração geralmente efémera, que emergem em espaços imprevistos, desde espaços baldios a espaços domésticos, ocupando também, por vezes, espaços museológicos, e que configuram novas performatividades sociais e artísticas, gerando hortas, projetos comunitários, estufas…

A plataforma digital desta revista permitiu dar conta dos ecos que estes projetos nos deixam mesmo quando estes desapareceram do espaço físico, como aconteceu com a Horta do Baldio, do qual se apresenta um álbum fotográfico. Desse modo, registaram-se aqui testemunhos, mas também fragmentos ou mesmo obras laboratoriais criadas propositadamente para a revista, de artistas e investigadores que têm vindo a dar corpo a esta temática. Mais do que uma mera revista de investigação ela apresenta-se como uma mostra que indicia projetos a que se pode retomar no futuro, na forma de pensamentos, reflexões, exemplos, enfim «sementes». E nessa condição, como nos diz Novalis, «Alguns grãos poderão ser estéreis — mas basta que uns quantos germinem…»

E é assim que, longe dos tempos em que quase tudo era campo, e onde se podiam encontrar «excellentes ortas», quase paradisíacas, não fosse a população pobre viver delas em regime de auto-subsistência, como nos apresenta no seu artigo inaugural desta revista Álvaro Domingues, hoje algumas hortas, nem sempre vistas como »paraísos terrestres», são cultivadas nas cidades por vários tipos de população e com variados usos e finalidades.

Emergem, para tentar criar uma tipologia simples, quando clandestinas, geralmente, nas zonas limítrofes das cidades, perto de auto-estradas, debaixo de pontes, em baldios; quando integradas em parques municipais e jardins, quando domésticas em varandas, em quintais… Todas estas emergências possuem um valor ecológico e de sustentabilidade, que se apresenta na sua vertente mais clandestina como um elemento de resistência em relação à propriedade e em relação ao tempo acelerado em que todos vivemos.

A auto-subsistência, essa continua hoje no imaginário e prática das hortas. Talvez as hortas traduzam a resiliência do «plano do chão» como nos diz Fernanda Fragateiro na entrevista que nos deu para esta revista. Esse «plano do chão» não é necessariamente um lugar utópico, um voltar ao interior da terra, como nos propunha Gabriel Tarde na sua ficção, o que não quer dizer que esse olhar não possa produzir utopias, mas ele traduz-se especialmente numa atenção às continuidades e, por isso, às potencialidades orgânicas de cada local, de cada pedaço de terra. Trata-se de um pensamento que alerta para o poder das pequenas transformações. Foi nesse âmbito que Fernanda Fragateiro tomou atenção às hortas urbanas, existentes mesmo no centro da cidade, num espaço expectante no Martim Moniz, que fotografou em 1997. Este lugar sugeria uma arquitetura informal e efémera, entre a construção (organização funcional que as hortas obrigavam) e a destruição (e desorganização produzida pelos materiais de demolição que conviviam no lugar). Esses registos deram origem a uma escultura com 25 fotografias que documentam essa paisagem mas que criam, também, uma nova paisagem pela forma como se organizam no espaço, trabalho artístico que foi exposto em França, Coimbra e Espanha. Noutros projetos essa atenção foi promotora de uma ação pela própria artista no próprio local, como foi o caso do projeto «o paraíso é um lugar onde nada acontece» (2001), no âmbito da programação Marvila Capital do Nada, no qual foi desenvolvido um projeto colaborativo para plantar novas árvores e plantas num bairro degradado com a ajuda dos seus habitantes. Esta artista na sua entrevista chama ainda a atenção para alguns projetos artísticos que trabalham com esta realidade das hortas, que por vezes vêem esse processo apenas como um «acontecimento», processo que não se relaciona de forma sustentada com a criação de uma horta que requer essencialmente manutenção, atenção e cuidado contínuo.

Também Ângela Ferreira dá-nos conta na sua entrevista do «poder» implícito à existência de algumas hortas, nomeadamente das clandestinas, que promovem mesmo, por vezes, uma espécie de «Reforma Agrária», como nos diz, a partir do seu projeto artístico, fotográfico, escultórico e performativo «Hortas na Auto-Estrada» (vide capa deste número com esse registo fotográfico). Um projeto ensaio, investigativo, de 2003, sobre as hortas à beira da auto-estrada do nó da Damaia, Buraca e da Cova da Moura, que surge sobre um olhar da artista sobre os espaços exteriores residuais das cidades, os baldios, que estavam a ser usados e apropriados por populações imigrantes, geralmente população africana, caboverdianos e guineenses, a viver nas zonas suburbanas e que cultivavam essas «terras de ninguém» para uso próprio e também, por vezes, para venda. O primeiro tema que lhe surgiu dessa aproximação vivencial e artística a essas hortas foi, como referimos, o de «Reforma Agrária», já que a artista viu nelas uma restituição de vivências culturais e uma forma de emancipação da população ocupante, nas suas palavras algo como: «Eu não tenho nada e eu vou-me apropriar daquilo que tu não queres para fazer qualquer coisa útil para mim.» Dessa leitura onde se inclui uma dinâmica pós-colonial surge uma performance para a câmara desenvolvida pela própria artista, com uma bandeira vermelha que é usada no espaço da horta, acentuando o valor político implícito nessa ocupação.

Desse olhar artístico surge também a noção de «esculturas na paisagem», a ideia que o cultivo produz objetos próprios, com valor útil e funcional, mas também escultórico, que sugeriram a criação de novas escultoras pela própria artista que esta expôs no espaço, criando com elas um cenário para novas performances fotográficas. Este projeto foi depois apresentado numa curadoria de Isabel Carlos, em Maputo, na exposição «Troca de Olhares» (2007) e com curadoria de David Santos, no Museu do Neo-Realismo, Vila Franca de Xira, em 2009.

Fernando Brito apresenta-nos também na sua entrevista o que o levou a fotografar as hortas urbanas, clandestinas, que se apresentam como redutos de uma criatividade expontânea, inventiva na sua arquitetura mas, também, nos instrumentos e mecanismos agrícolas.

Recentemente esta mesma temática tem sido alvo de uma investigação em Estudos Artísticos por parte de Alexandra do Carmo, que nos apresenta nesta revista um artigo denominado «Atelier Verde (no IC19)», dando conta da evolução histórica ocorrida nas vias que ligam Sintra a Lisboa e onde vão inscrever-se estas hortas e as suas dinâmicas próprias. Um processo que a artista e investigadora tem vindo a filmar mostrando esses tracejados precários, efémeros, «invisíveis», mas onde se reconstituem afetos em relação à comunidade e identidade cultural e também a eventos históricos do colonialismo, integração territorial e discriminação económica.

Também Rodrigo Bettencourt da Câmara na sua entrevista nos apresenta um trabalho artístico em processo onde dá conta de memórias e trânsitos culturais visíveis na paisagem da estrada de Chelas, de onde se destacam canas de açúcar cultivadas por cabo-verdianos sediados na zona.

Esses territórios transportam, transmitem e cristalizam memórias, como salienta também Teresa Palma Rodrigues na sua entrevista onde nos fala do seu projeto artístico e investigativo sobre as hortas-quintais do Vale de Chelas onde se encontram sedimentos do passado (fósseis pré-históricos, restos de azulejos da fabrica que aí existiu, das quintas onde residiram outras populações) que usa para desenvolver o seu projeto artístico. Apresenta-nos também um «mapa de uma paisagem comestível» que, como afirma a própria artista, é uma pintura que representa doze meses do ano e o passar das estações num terreno em Chelas, na freguesia de Marvila (Lisboa), onde existe uma horta clandestina que a artista observa todos os dias a partir da sua janela e sobre a qual faz investigação recolhendo sedimentos para os seus projetos artísticos. A partir dessa relação com o terreno a que deu o nome de «Zona V» criou um registo artístico laboratorial, um vídeo de animação composto por um hortelão que retira do solo alimento mas, também, como diz a artista, enterra ou desenterra sonhos, memórias, o saber-fazer, as tradições, as técnicas de cultivo. O passar do tempo é registado através de mudanças cromáticas que constituem as transformações de uma coreografia de cultivo, de gestos que se repetem todos os dias.

Maria Raquel Sousa traça-nos um percurso por diversas hortas urbanas dando conta das suas ambiências e potencial holístico. Tudo na horta pode ser criativo e valioso, olhar as sementes e ver nelas um tesouro e um design vivo que importa preservar na sua diversidade, é o que nos deu a pensar Bárbara Coutinho na sua entrevista, a partir da curadoria da exposição «Sementes. Valor Capital», que decorreu nos cofres-fortes do espaço do MUDE em 2010-2011.

As hortas possuem assim vários tipos de valor. Um valor alimentício inequívoco, que nos é apresentado em quase todos os registos desta revista e que é diretamente destacado no texto de Ricardo Sequeira, escrito a partir de uma perspetiva económica, onde se dá a ver que a agricultura urbana tem vindo a ser uma solução para diminuir a insegurança alimentar, que afeta tanto os países em desenvolvimento como as famílias mais vulneráveis dos países desenvolvidos. Também a instalação artística de Carla Filipe, denominada «Migração, Exclusão e Resistência» e apresentada no Museu de Serralves e na 32ª Bienal de São Paulo, dá conta do valor de produtos alimentares não convencionais, não considerados comestíveis por todos, como são exemplos os figos da piteira, as beldroegas, entre outros, que nos permitem refletir acerca das opções condicionadas pela indústria alimentar. As suas instalações artísticas integraram uma peça sonora denominada «Tendency», de Tiago Carneiro, produzida para Serralves, e o uso desse tipo de alimentos por Jorge Mena Barreto outro artista da 32ª Bienal que criou uma cozinha sustentável.

As hortas podem traduzir e revelar esse valor alimentício num valor ético-político, como nos diz Maria Augusta Babo no seu texto, já que o cultivo e cuidado de uma horta é uma afirmação ecológica de cariz transindividual. Um sintoma de um mal-estar urbano e de uma micro-resistência, que integrada numa variedade de outras tantas práticas coletivas é dispersa e, muitas vezes, intermitente, sem um objetivo político determinado, e define um outro tipo de agir que, não se instituindo em força política, desloca o político, abrindo os seus limites a novas formas de subjetivação. Também Liliana Coutinho sublinha no seu texto a urgência de uma ética relacional, entre as pessoas, os seres e as coisas, o orgânico e o inorgânico, uma ética necessária para conter catástrofes humanas e ecológicas na nossa «horta», que representa também a imagem da própria Terra. Do mesmo modo Ilda Teresa de Castro acentua a ligação frágil que se dá hoje entre as conexões animal, vegetal e mineral onde espreita a sombra de uma catástrofe do antropoceno e que a autora nos dá também registo num vídeo que intitula «Ecocídio»: o registo de uma floresta a arder em 2005, antecedendo a catástrofe pelo fogo que assolou o ano de 2017 em Portugal. Por fim, a a artista e investigadora compõe-nos a partir das suas notas diarísticas «13 (eco)anotações na construção de um programa ecocrítico».

As hortas, mas também os parques ou os pomares, podem ainda conter, portanto, um ideário utópico criando cenários alternativos nas cidades. Nesse âmbito Fernando Aguiar apresenta-nos um «Soneto Ecológico», um projeto de land art com 70 árvores, organizadas por 14 filas com 5 árvores cada, correspondendo aos 14 versos da estrutura do soneto, distribuídas por duas quadras e dois tercetos, sendo as rimas efetuadas por árvores da mesma espécie; um projeto que teve a sua idealização em 1985 e que só em 2005 foi realizado, num happening coletivo onde a população de Matosinhos plantou num parque dessa cidade as árvores que permitiriam a composição do soneto. Também Moirika Reker nos dá conta de um projeto colaborativo, o «Fruta à Mão», que constituiu na criação de pomar coletivo num parque da cidade de Lisboa. São estes atos, experiências ou um manifesto para o futuro?, podemos perguntar-nos.

Noutros projetos que não foram incluídos neste número, por não se reverem num princípio de sustentabilidade, como «Estufa» (2005), do projeto teatral, onde se criou num quintal urbano da zona antiga da cidade uma estufa efémera, deram-se a ver outros valores: o valor da germinação das plantas mas também o da sua contemplação estética.

António Olaio e João Taborda apresentam-nos um vídeo do seu projecto artístico «Telepathic Agriculture», dando-nos a ouvir que coisas estranhas podem surgir de uma relação telepática entre homem e agricultura, porque «If you plant a cabbage in one of your ears, you soon will hear a magical sound; If you plant cabbages in both of your ears, your brain will melt and turn into ground»…

A revista termina nesse imaginário telepático numa homenagem ao arquiteto Gonçalo Ribeiro Telles com duas entrevistas que ecoam sobre o seu ideário para a paisagem portuguesa, onde as hortas fazem parte de um contínuo temporal e espacial, algo que perdura entre o passado e o futuro e que se inscreve nas relações e formações, cada vez mais híbridas entre cidade e campo. Paula Côrte Real, a pretexto da atividade do Centro Interpretativo Arquiteto Gonçalo Ribeiro Telles», sediado nos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa, fala-nos do papel que este arquiteto teve não só na construção destes jardins mas também para definir princípios ecológicos de preservação e recriação de uma paisagem global em Portugal. O realizador João Mário Grilo fala-nos do seu filme A Vossa Terra, filme construído da relação estabelecida entre o realizador e o imaginário deste arquiteto para uma (política da) paisagem: a necessidade de existirem «contínuos», «corredores verdes» com ramificações invisíveis para o interior da Terra e que mantenham a organicidade da vida à superfície das cidades. Porque, como afirma este arquiteto, sobre a relação do homem com a paisagem, «o homem é um animal de passagem permanente por um teatro que cria e que vai vendo crescer, que vai desenvolvendo, que vai defendendo, que vai construindo e que vai emendando». Uma relação e um percurso que se estabelece entre a luz e a sombra, o interior e o exterior, o visível e o invisível, o passado e o futuro…

 

Bibliografia

Tarde, Gabriel (1896). Fragment d’Histoire Future, Edicion online de la Bibliotheque de la Université du Québec à Chicoutimi, acedido a 22 de dezembro de 2017.

Docente e investigadora do ICNOVA da NOVA FCSH e colaboradora do IHA (NOVA) e do CET (FLUL). Realizou pós-doutoramento intitulado Arte Social. Arte Performativa? (2009-2012) e doutoramento em Sociologia sobre Hibridismo nas Artes Performativas em Portugal (2007) no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Na tese de doutoramento desenvolveu uma análise aprofundada sobre nova dança portuguesa e novo teatro tendo dedicado um capítulo à história da performance art portuguesa. É autora dos livros Híbrido. Do Mito ao Paradigma Invasor? (Mundos Sociais, 2010) e Novos Notáveis: Os Programadores Culturais(Celta, 2002). Escreveu vários artigos sobre novas formas de hibridismo e performatividade nas artes.