Zona V

«Zona V» é um nome inventado para designar um terreno sem denominação. Este terreno é, na verdade, uma área expectante, em reserva desde 1964 para a construção daquele que virá a ser, um dia, o novo hospital da cidade de Lisboa. Enquanto nada se constrói, o seu solo é aproveitado, por um solitário hortelão (aqui representado por uma marioneta em papel, num teatro de sombras) que deste lugar retira alimento… e não só.

As hortas clandestinas de Marvila, também chamadas «quintais», são muitas vezes um lugar de recreio. Ter uma horta na cidade é também uma atividade de lazer, um modo de estar na vida, de entender a terra e de estabelecer relação com o espaço. O espaço que sobra…

Este pequeno vídeo de animação pretende refletir sobre o modo como o horticultor clandestino pode modificar, mesmo que apenas poeticamente, o significado da paisagem urbana, através da sua horta, da sua ação sobre um terreno da cidade aparentemente abandonado e esquecido, suspenso no tempo e sem ligação ao tecido urbano circundante.

No solo, este homem enterra ou desenterra sonhos, memórias, o saber-fazer, as tradições, as técnicas de cultivo.

O mapa pintado, Mapa de uma paisagem comestível, que surge como cenário, muda de cor simbolizando as estações do ano, os dias, as horas, o tempo. O tempo que sobra..

 

Licenciada em Artes Plásticas (Pintura), em 2001, pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Realizou Mestrado em Pintura, em 2008, na mesma instituição. É doutoranda do Curso de Doutoramento em Belas Artes (Pintura) da FBAUL, bolseira da FCT e membro colaborador do CIEBA. Realizou várias exposições individuais. Em 2015 expôs «Seguindo a Espera de um Vazio», na Sala do Veado. Participou em diversas coletivas em Portugal, Espanha, França, Itália, Irlanda, Brasil e Moçambique. Destaca-se a sua participação em «POVOpeople», no Museu da Eletricidade (2010) e no «Ciclo da Fotografia Portuguesa» (2013), no MuMA (Brasil).