Lapso

 

Lapso apresenta-se como uma página web, com texto, hiperligações e imagens.

O texto é composto de curtas citações de diversas fontes, quase todas online, e entre elas flutua uma associação de ideias em torno da palavra “lapso”, entendido como deslize (escorregar para a entropia), esquecimento (de onde se encontra algo) mas também o decorrer de um período de tempo (a duração limite de uma conjugação instável de endereço, código e servidor). Neste sentido, ao seguir uma hiperligação, procuramos o que está dentro de um lapso, e só encontramos o que ainda não lapsou.

As citações contêm ligações a fontes bibliográficas, mas no código foi introduzido um mecanismo que rompe algumas dessas ligações, subtraindo-lhes caracteres aleatoriamente. As ligações falhadas podem, quase sempre, ser reconstituídas por quem tenha atenção aos pormenores e conhecimento dos meandros da rede.

As imagens na internet também funcionam através de ligações, com a diferença de serem apresentadas imediatamente no próprio documento, em vez de exigirem, como a hiperligação textual, uma viagem até outro ponto.

No entanto, a fragilidade deste sistema é evidente pela existência, em HTML, do atributo “alt”, que fornece texto alternativo no caso de a imagem não existir, ou não ser carregada. A latência é uma qualidade da rede, equipada para disseminar informação de forma robusta mas não necessariamente rápida. As imagens são pesadas, ricas em informação visual e demoram a carregar, nem sempre chegando ao destino. A falha na ligação é imediatamente evidente como um espaço vazio na página, um ícone genérico servido pelo browser, ou a presença de uma legenda sem contexto. O texto alternativo fornece uma substituição na qual temos de confiar, ou uma indicação do que perdemos ao não ver a imagem.

Os textos encontram-se em inglês, dada a maior diversidade de material online neste idioma, e as imagens provêm do arquivo online do British Library, que permite e encoraja a sua reutilização.

A peça encontra-se aqui.